Engajamento virou o mínimo: Por que você precisa de “Exploradores” para liderar o seu mercado
Se você é o tipo de líder que ainda comemora quando a pesquisa de clima aponta um time “altamente engajado”? Então, talvez, seja hora de recalibrar a régua.
A SXSW 2026 trouxe um dado que tira o sono de qualquer diretoria atenta: o sucesso da transformação digital de uma empresa depende 70% de pessoas e processos, e apenas 30% da tecnologia.
Você pode assinar as APIs mais caras do planeta. Mas se o seu time apenas cumpre scripts, o investimento vira pó.
O ponto incômodo é que o “engajamento”, a métrica mais querida do mundo corporativo, virou o piso e não o teto. Engajamento significa executar bem tarefas definidas. É necessário, mas não é suficiente.
Em um mercado onde algoritmos executam tarefas definidas melhor e mais barato que qualquer humano, quem apenas segue script está competindo de frente com a máquina, num jogo que já perdeu. O que separa as empresas que lideram é outra coisa: a “Paixão do Explorador“.

O Filtro dos 14%
A diferença entre engajamento e paixão não é de intensidade. É de natureza. O funcionário engajado resiste ao inesperado e é reprimido quando sai do roteiro. O explorador faz o oposto: busca o inesperado, abraça o desafio e enxerga cada problema como um domínio a dominar. Um executa o presente. O outro constrói o futuro.
O problema é a escassez. Apenas 14% dos trabalhadores possuem essa paixão de fato. E aqui mora a ironia mais cara do mundo corporativo: as empresas, na ânsia por controle e previsibilidade, reprimem ativamente justamente os poucos exploradores que já têm dentro de casa. Contratam inovação e punem desvio de rota.
O antídoto contra a inutilidade: “Mattering”
Reprimir o explorador tem um custo silencioso e profundo. Quando a IA automatiza tarefas e o líder engessa o resto em manuais, o que sobra para a pessoa é uma sensação corrosiva: a de ser dispensável. E essa sensação escala rápido.
Foi sobre isso que Jennifer Wallace alertou em sua keynote na SXSW 2026, ao trazer o conceito de “Mattering”: a necessidade humana fundamental de se sentir valorizado e de agregar valor. Não é motivação de palestra motivacional. É estrutural.
Times que não sentem que importam, não exploram, não arriscam e não inovam. Apenas cumprem tabela até serem substituídos.

O Framework S.A.I.D.
Para combater o medo da obsolescência e ativar os exploradores, a liderança pode aplicar o framework S.A.I.D., quatro alavancas práticas de gestão:
Significância: mostre a cada pessoa que o trabalho dela tem impacto real no negócio, não é só uma engrenagem substituível.
Apreciação: reconheça a contribuição de forma concreta e frequente, não só na avaliação anual.
Investimento: invista na fluência da equipe com IA e novas ferramentas, sinalizando que você aposta no crescimento dela.
Dependência: deixe claro como o negócio depende das ideias e do julgamento daquela pessoa, e não o contrário.
Aplicadas juntas, essas quatro alavancas transformam o medo de ser substituído em segurança para experimentar. E é da experimentação que nasce a inovação que nenhum concorrente copia.
Conclusão: A tecnologia escala, mas é o humano que explora
No fim das contas, o grande erro das lideranças hoje é tratar gente como recurso a ser otimizado, quando o diferencial competitivo real está exatamente no que não se otimiza por planilha: curiosidade, coragem e paixão. Não existe ferramenta de IA capaz de salvar uma cultura corporativa que sufoca as próprias melhores mentes.
Portanto, a pergunta que toda liderança precisa se fazer não é “qual a próxima ferramenta que vou implementar?”. É “estou engessando meu time com manuais de regras, ou dando a ele autonomia para encontrar o novo?”. A tecnologia é o multiplicador. Mas o número que ela multiplica continua sendo humano.

Aqui na On, traduzimos os aprendizados da SXSW 2026 em estratégias reais de marketing digital e transformação de operação, com foco no que de fato move o ponteiro: pessoas e cultura potencializadas por tecnologia, e não o contrário.
A On é uma agência especializada em AI First e nosso trabalho é ajudar lideranças a construírem times e operações onde a Inteligência Artificial escala o potencial humano, em vez de sufocá-lo.
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