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R. Kelly e os números

Se você não está por dentro da maior polêmica dos últimos tempos no mundo da música, a gente vai te atualizar agora.

Há muito tempo, o cantor/compositor/produtor R. Kelly (dono de hits como “I belive I can fly”, “I’m a flirt” e “Ignition”) se vê envolvido em uma série de escândalos, que vão desde pedofilia à acusações de cárcere privado (incluindo um vídeo em que aparece urinando em uma garota de 14 anos).

Todas as vezes em que esses assuntos vieram à tona, incluindo as ocasiões em que R. Kelly teve que encarar a própria polícia (e foi absolvido), eles sumiram de forma rápida, sem qualquer prejuízo para o artista.

Em julho de 2017, a família de Jocelyn Savage veio a público para dizer que sua filha e outras mulheres estavam presas contra vontade, participando de um culto sexual secreto mantido pelo cantor.
Na época, a (polêmica) cantora Azealia Banks foi ao Twitter questionar artistas como Lady Gaga, que haviam trabalhado com R. Kelly mas que não se posicionavam a respeito desse assunto.

Fastforward para 2018. Movimento Time’s Up chega com tudo à Hollywood e graves denúncias contra grandes nomes da indústria, como Harvey Weinstein e Kevin Space, vieram à tona. R. Kelly volta a ser assunto.

O movimento lança campanha #MuteRKelly, incentivando o boicote ao cantor.
“Exigimos investigações apropriadas sobre as alegações de abuso de R. Kelly feitas por mulheres de cor e suas famílias há mais de duas décadas”, disse a iniciativa Time’s Up em um comunicado publicado em seus canais sociais. “E nós declaramos com grande vigilância e voz unida para qualquer um que queira nos silenciar: seu tempo acabou”.

O grupo critivou empresas como RCA/Sony, Ticketmaster, Spotify e Apple Music por produzir e vender as músicas de R. Kelly, além de criticar os contratantes e as arenas que recebiam os shows do cantor, e os diversos canais de mídia que ainda divulgavam sua música.

Na ocasião, o Spotify já havia anunciado que retiraria de todas as suas playlists oficiais qualquer música de R. Kelly, e que também não o recomendaria para seus usuários.

Ainda em 2018, o Buzzfeed News fez uma matéria com duas mulheres que alegam terem sido abusadas pelo cantor, o que deixou o assunto ainda mais em evidência.

Essa matéria, inclusive, foi o estopim para a produção de “Surviving R. Kelly”, um documentário produzido pelo canal americano Lifetime com 6 capítulos, que aborda:

  • seu casamento secreto com a cantora Aaliyah quando ela tinha 15 anos;
  • seu julgamento (do qual foi inocentado) por acusações de pornografia infantil
  • seus acordos com mulheres sobre alegações de má conduta sexual ou violência doméstica
  • o culto sexual coercivo (incluindo o momento em que uma mãe resgata sua filha)
  • sua alegação de inocência, incluindo a música “I Admit” de 19 minutos

Tudo isso com muitos depoimentos de mulheres que alegam terem sido abusadas (incluindo a ex-mulher e mãe de seus três filhos), pessoas que trabalharam com ele, celebridades e especialistas.

Apesar das inúmeras tentativas do cantor em brecar o lançamento do documentário, ele foi ao ar em janeiro de 2019, e trouxe muita repercussão em torno desse assunto (veja em matéria do site TooFab as reações de diversos artistas).

Diante de tanta controvérsia, artistas como Lady Gaga e Celine Dion anunciaram que estavam removendo das plataformas de streaming as músicas em colaboração com o cantor. Outros artistas como Ciara, Pussycat Dolls e Chance the Rapper anunciaram que estão no processo de retirada.

A gravadora RCA/Sony pausou qualquer investimento em projetos do cantor, apesar de seu contrato ainda vigorar.

Assim como quando um artista morre, a polêmica também aguça a curiosidade alheia. De acordo com a Billboard, após o documentário, as músicas de R. Kelly saltaram de 1,9 milhões para 4,3 milhões de streams apenas nos Estados Unidos, um aumento de 116%.

As visualizações na página da Wikipédia também saltaram. No dia 2 de janeiro, um dia antes da estreia, eram 3 mil page views. O número dobrou para 6 mil no dia 3 de janeiro depois saltou para 41 mil em 4 de janeiro. Dois dias após a exibição, os números foram ainda maiores: 47 e 57 mil page views nos dias 6 e 7 de janeiro, respectivamente.

É certo dizer que, além do impacto financeiro, R. Kelly está preocupado com os arranhões na sua imagem. Segundo o site TMZ, ele quer processar a Lifetime e estaria buscando, junto de seus advogados, alguns “podres” dos executivos do canal. Apesar de absurdo, até combina com a atitude (que dizem estar relacionada ao cantor) em que uma página do Facebook chamada “Surviving Lies” que tinha por objetivo expor os acusadores do documentário.

A equipe de Zuckerberg, no entanto, trabalhou rápido para tirar a página do ar, alegando que ela violava os Padrões da Comunidade e reafirmando que o Facebook não tolera o assédio moral ou o compartilhamento de informações de contato particulares de outros e age em relação a um conteúdo que viola nossas políticas assim que estamos cientes.

Apesar de tudo, até agora, no entanto, não há nenhum processo envolvendo R. Kelly. Mas promotores em duas cidades estão buscando ativamente potenciais testemunhas e vítimas para fazer acusações contra ele.

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