Se a sua marca está montando a operação de Black Friday contando que o recorde de faturamento do varejo vai respingar automaticamente no seu caixa, é melhor recalibrar a expectativa. A data vai crescer de novo em 2026. Mas o consumidor que chega até ela mudou, e mudou contra quem não se preparou.
Os números ajudam a entender o tamanho do desafio. A Neotrust projeta que a Black Friday 2026 vai movimentar R$ 13,3 bilhões no e-commerce, uma alta de 20,7% sobre o ano passado.
Parece motivo de comemoração, e é. O problema é o que está por trás desse crescimento.
Mais pedidos, cada um valendo menos
O faturamento sobe, mas de forma diluída. No primeiro semestre de 2026, o número de pedidos no e-commerce cresceu 34,8%, enquanto o ticket médio caiu 13,3%, para R$ 275,50. Em outras palavras: tem muito mais gente comprando, mas cada compra vale menos.
O recado para o seu time financeiro é incômodo.
Não é porque há mais dinheiro circulando que a sua marca vai faturar mais. Se a sua margem depende de ticket alto, o movimento do mercado está remando contra você, e volume sozinho não compensa.

O preço virou rei, a fidelidade virou lembrança
Aqui está a mudança mais dura para quem construiu marca por anos. Segundo a Opinion Box/DITO, para 75% dos consumidores a etiqueta de preço é o fator mais importante na escolha de um produto.
E o que costumava segurar o cliente perdeu força de forma brutal.
Comprar numa “loja que já conheço” despencou de 20% para 6%. A indicação de alguém de confiança caiu de 7% para 2%. Ou seja, a lealdade à marca e o boca a boca, dois ativos que levam anos para construir, estão sendo atropelados pela calculadora na mão do consumidor.
O consumidor se dividiu em dois extremos
Outro dado reorganiza completamente o calendário de campanha. O comportamento de compra se polarizou, e o meio-termo, onde a maioria das marcas sempre mirou, encolheu:
- Os planejadores dobraram: quem decide com mais de 3 meses de antecedência foi de 11% para 22%.
- Os de última hora cresceram: quem decide na semana ou no próprio dia foi de 19% para 30%.
- O meio se esvaziou: quem decidia no mês ou nas semanas anteriores caiu de 41% para 28%.
A consequência é direta: ou a sua marca começou a gerar desejo muito antes da data, conquistando o planejador, ou precisa estar absurdamente competitiva no calor do momento, para fisgar o comprador de última hora.
Mirar no meio do caminho virou mirar num público que está desaparecendo.

A paciência com as suas mensagens acabou
E se a sua estratégia de Black Friday é disparar oferta para todo mundo, o tiro pode sair pela culatra. O e-mail ainda é o canal favorito para receber ofertas (53%), seguido do WhatsApp (46%). Mas a tolerância despencou.
Quem não quer receber nenhuma oferta saltou de 11% para 23% no e-mail, de 19% para 29% no WhatsApp e de 39% para 44% no SMS. Na Black Friday, 48% dizem receber mais mensagens do que gostariam. Cada disparo irrelevante não é só ignorado: ele empurra o cliente para o descadastro.
O dado que fecha o raciocínio é o mais revelador: quem volta a comprar quase sempre volta sozinho. 55% recompram por conta própria, e apenas 24% por causa de uma mensagem da marca. A boa recompra nasce da experiência, não do bombardeio.
Como a sua marca se prepara para esse consumidor
Diante de um comprador mais calculista, impaciente e volátil, vencer a Black Friday deixou de ser sobre gritar mais alto. Na prática, isso se traduz em três movimentos:
Antecipe o desejo em vez de esperar a data: com os planejadores dobrando, a disputa pelo consumidor que decide com meses de antecedência já começou. Quem só aparece na última semana briga apenas por preço com o comprador de impulso. Construa presença e desejo bem antes de novembro.
Troque volume por relevância na comunicação: num cenário de fadiga de mensagens, disparar para a base inteira queima o seu canal. É aqui que a Inteligência Artificial vira vantagem real: segmentar, personalizar e acertar o timing para enviar a oferta certa a quem tem real intenção, em vez de encher a caixa de entrada de quem vai te descadastrar.
Invista na recompra, não só no desconto: se 55% voltam sozinhos e a fidelidade está em queda, o que retém não é o cupom, é a experiência. Pós-venda impecável, entrega no prazo e atendimento humano valem mais, a longo prazo, do que o maior desconto da categoria.
Conclusão: o desconto atrai, a relevância retém
No fim das contas, o grande erro das marcas na Black Friday 2026 vai ser tratar a data como uma corrida de preço e volume, quando ela virou um teste de relevância.
O consumidor está mais esperto, mais impaciente e menos leal do que nunca, e nenhum desconto sozinho compra de volta a atenção de quem já aprendeu a ignorar propaganda.
Portanto, prosperar nessa Black Friday é sobre chegar antes, falar certo e com a pessoa certa, e entregar uma experiência que faça o cliente querer voltar sozinho.
Quem entende isso para de competir por centavos e passa a competir por preferência.

Aqui na On, ajudamos marcas a usar a Inteligência Artificial para transformar dados de comportamento em campanhas cirúrgicas, que acertam o consumidor certo, na hora certa, com a mensagem certa, em vez de desperdiçar verba gritando para quem não quer ouvir.
A On é uma agência de marketing digital especializada em AI First e nosso trabalho é preparar a sua operação para vender mais com inteligência, não com volume, numa Black Friday em que relevância virou a verdadeira vantagem competitiva. Fale com a nossa equipe e desenhe uma estratégia à altura do novo consumidor.