A relação das marcas com o audiovisual

A nova temporada de American Crime Story acabou de estrear, e o caso da vez gira em torno do assassinato de Gianni Versace, designer icônico na história da moda. No enredo, o personagem aparece morto em frente à sua casa em Miami. A produção tem elenco de peso, bastante apelo visual e mergulha de cabeça nas estéticas dos anos 90. Ao que tudo indica, tem grandes chances de trazer de volta as referências dessa década, influenciando o mercado fashion e o mundo da música. E o mais interessante: deixará a marca Versace em destaque.
O namoro do audiovisual com marcas famosas não é de hoje. A linguagem do cinema é arte, educação e, especialmente, comunicação. Uma tela aberta, literalmente, para as massas. A publicidade toma carona nesses encantamentos e já nos presenteou com campanhas lindas, emocionantes e que nos levam a pensar (e consumir, claro).
O contrário também acontece. Algumas séries e filmes embarcam em uma marca ou produto, no melhor modo, “uma mão lava a outra”.
“A Rede Social”, de 2010, é um dos exemplos que logo surgem à mente quando falamos em filmes sobre marcas. A narrativa aborda o processo de surgimento do Facebook, e, inclusive, foi bastante criticada pelo fundador, Mark Zuckerberg, que apontou uma certa romantização do seu trabalho muito suado. Sua recepção pouco amigável gerou buzz, curiosidade e interesse por essa que vem se consolidando como uma das maiores redes sociais da web.
A respeito de American Crime Story, a família Versace também lançou um olhar duro, indicando que a obra precisa ser vista apenas como um trabalho de ficção. É delicado expor uma história polêmica por trás de uma grande empresa. É um risco, requer coragem e, ao mesmo tempo, é bem inteligente. Donatella Versace, a irmã de Gianni, que assumiu o império após a tragédia e está à frente dele até hoje, foi vivida por Penélope Cruz. Ela não deu sua benção, mas também não censurou e, inclusive, enviou flores à sua intérprete. É aquilo: falem mal, mas falem de mim. Nada mais fashion e estratégico.

 

Por João Ricardo Campos.



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